Investigação federal confirma fraudes envolvendo Capital Consig, Cartos e Banco Master
A investigação da PF confirma fraudes envolvendo Capital Consig e Cartos, afetando servidores de MT.
O esquema financeiro revelado nacionalmente por reportagem do portal UOL, que flagrou em interceptações da Polícia Federal o envolvimento direto da empresa Capital Consig, validou publicamente o que os sindicatos de Mato Grosso já haviam denunciado à Justiça. Muito antes do caso ganhar repercussão no país, as entidades que representam os servidores estaduais tinham mapeado as fraudes sistêmicas e a ligação entre a Capital Consig e a fintech Cartos.
Todo o esquema foi detalhado em uma Ação Civil Pública (um processo coletivo) que garantiu, na Justiça estadual, a retenção do dinheiro das empresas e a paralisação dos descontos ilegais nas folhas de pagamento das vítimas. O fato novo que coloca as operações de Mato Grosso no centro do escândalo é o aparecimento direto da Capital Consig nos diálogos dos criminosos interceptados pela PF e divulgados pelo UOL.
Na apuração federal, um operador do esquema orienta um funcionário da Cartos sobre quais CPFs de servidores deveriam ser separados na fraude. Na gravação transcrita pela polícia a ordem é explícita: “Consegue excluir aqueles da Cartos e da Capital Consig? Acho que ficam 116, né?”.
Para a equipe jurídica do escritório AFG & Taques, que defende a Federação dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT) e mais seis sindicatos, entre eles, Sinpaig, Sindes e Sintep-MT, esse áudio é a prova que confirma o que o processo coletivo estadual já denunciava: a Capital Consig e a Cartos operam de forma interligada.
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Relatórios da Força-Tarefa Estadual de Apuração de Práticas Abusivas em Operações de Crédito Consignado (instituído pelo Decreto Estadual nº 1.454/2025) constataram, em 2025, que entre 50% a 54,3% dos contratos analisados que seriam da Capital Consig, mas a Cartos aparecia como a verdadeira credora.
Diante das investigações, o corpo jurídico dos sindicatos protocolou uma manifestação complementar na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá. O objetivo é exigir o compartilhamento imediato das provas do Inquérito Policial (IPL nº 2025.0078640-SR/PF/MT) para os autos estaduais, demonstrando ao juízo local que o caso de Mato Grosso integra uma engrenagem criminosa muito maior.
A revelação federal também enterra a estratégia dos bancos e empresas rés de tentar suspender a ação em Mato Grosso. As defesas vinham usando como desculpa o Tema 1.414 do Superior Tribunal de Justiça, que trata de falhas comuns de direito do consumidor. No entanto, a equipe do escritório AFG & Taques esclarece que as interceptações da PF corroboram a denúncia de fraude sistêmica e ocultação de carteiras de crédito, o que inviabiliza qualquer paralisação do processo.
Para os advogados Pedro Taques e Murilo Gonçalves, que lideram a atuação no caso, a manutenção da ação coletiva é urgente para garantir a proteção das vítimas.
“Não estamos discutindo um probleminha de contrato, estamos lidando com um caso de polícia. É o crime organizado operando de forma articulada diretamente no contracheque do servidor público de Mato Grosso. As gravações da Polícia Federal provam exatamente o que já vínhamos denunciando, tornando impensável qualquer tentativa de suspender o processo para favorecer as empresas. O salário do trabalhador precisa ser protegido e a verdade finalmente está vindo à tona”, afirmam os advogados.
Fonte original: Isso e Noticia – Politica — ler no site original
Redação do Opinião 360.
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